Especialização em  Agricultura Biodinâmica

Páginas CHÃO e GENTE

Encontre e ofereça Produtos mais ecológicos
e Serviços mais humanos.

Páginas CHÃO e GENTE

Você pode começar por aqui encontrando e oferecendo produtos e serviços condizentes com a regenerabilidade ambiental e social.

especialização em economia associativa

Fóruns Econômicos

Pratique para aprender e aprenda a praticar
interagindo na sua localidade.

Fóruns Econômicos

Formar uma consciência comum em espaço local e virtual para e estabelecer acordos sobre qualidade, quantidade, prazos e preços.

SEJA BEM-VINDO!

Participe da mudança que queremos
ver acontecer em nós mesmos e no mundo!

cursos instituto elo

Através deste PORTAL você encontra os mais variados caminhos para envolver-se com a REGENERABILIDADE ambiental e social.

Leia mais

Área Restrita


Faça LOGIN ou cadastre-se.

Leia mais sobre as formas de participação.   

 

BLOG DO PORTAL

Entre a crise do mercado e a do estado

Lemniscata2

A proposta de Steiner para a regeneração econômica e social

Foi em 1776 que Adam Smith publicou o seu clássico Uma Investigação sobre as origens e as causas da riqueza das Nações. Filósofo da moral antes de ser reconhecido como o ‘pai da ciência econômica moderna’, Adam Smith fundamentou nesta obra o liberalismo econômico com a sua famosa ideia da mão invisível: a noção de que se cada um seguisse apenas os seus próprios interesses de acumulação e consumo material, por meio da livre-concorrência do mercado estes impulsos egoístas individuais seriam redirecionados em prol do bem-estar e da riqueza coletiva. Revertendo a moral clássica e o sentido-comum, legitima-se aí a ideia de que a sociedade e a economia poderiam se fundamentar sobre o egoísmo e a ganância das pessoas.

Apesar dos imensos sofrimentos, crises sociais e ecológicas que a introdução deste livre-mercado já desde os seus primórdios provocou, retratadas por autores como Victor Hugo no seu Os Miseráveis ou Charles Dickens na sua crítica social e que hoje ainda associamos às consequências do denominado capitalismo selvagem; apesar das cidades industriais escurecidas pela fumaça e com os seus rios mortos pela poluição; apesar de todas as evidências de que o egoísmo e a busca desenfreada de lucro econômico também foram e continuam sendo fontes de exploração social e ecológica, crises e conflitos, a ideia central de Adam Smith foi assumida e refinada por economistas e pensadores subsequentes. Esta crença nas virtudes do mercado, no crescimento econômico e no progresso infinito, tornaram-se, de fato, a nova religião moderna.

A progressiva transformação pelo livre-mercado do ser humano em ‘força de trabalho’, da natureza em ‘recursos’ e da economia em uma competição de todos contra todos, substituindo formas colaborativas de economia como a reciprocidade e o dom, a redistribuição ou ainda a autossuficiência, tem, no entanto, criado todo tipo de reações e desequilíbrios que, periodicamente, colocam em cheque esta utopia da mão-invisível. Desta forma, como já mostrava o historiador econômico Karl Polanyi na sua obra A Grande Transformação, duas forças políticas e sociais principais passaram a pautar a história moderna. De um lado, a crença de que a livre iniciativa, o empreendedorismo econômico deixando-se guiar unicamente pelos preços e pelo cálculo econômico no livre-mercado encontraria as soluções para os problemas que a própria evolução do sistema criaria, reafirmando-se assim a ideia da mão-invisível soberana. Por outro lado, a busca de controle e limites à mercantilização e subordinação crescente do ser humano e do seu entorno às forças da indústria e do mercado por meio das leis e do Estado, protegendo-se o homem do lobo do homem a partir do controle, da regulamentação e do dirigismo vertical: leis trabalhistas, leis ambientais, normativas quando não o controle direto da indústria e das finanças pelo estado. Ambas alternativas, como podemos observar ao longo da história e ao olhar ao nosso redor, foram simultaneamente respostas e fontes de novos problemas.

A resposta neoliberal ao propor mais livre-mercado e a subordinação e mercantilização crescente da natureza, do ser humano e até do dinheiro e das finanças à lógica de acumulação individual, ignora precisamente que nem o ser humano, nem a natureza e nem o dinheiro são mercadorias no sentido de algo que tenha sido produzido para o mercado em função do seu preço e cujo consumo ou não possa ser separado da vida mesma, como se o ato econômico de compra e venda fosse algo neutro. Ao tentar subordinar o ser humano, a natureza e o dinheiro à liberdade egoísta do mercado, cada um procurando o seu lucro próprio e enriquecimento no curto prazo, vemos como de fato se ampliam os desequilíbrios de renda, a violência econômica e social, além da exploração e destruição crescente do nosso entorno. Surgem cada vez mais bolhas especulativas e processos de acumulação que longe de sanarem o organismo econômico, asfixiam-no e o debilitam ao atuarem como células cancerígenas centradas no seu próprio crescimento em vez das necessidades do organismo como um todo. Crise financeira de 2008, especulação imobiliária, urbanismo predatório, desmatamento do Amazonas para a pecuária e a soja, são apenas alguns dos efeitos visíveis deste processo. Ao mesmo tempo que aumenta a consciência crescente dos limites biofísicos ao crescimento, vemos uma indústria que longe de produzir bens para a satisfação das nossas necessidades, investe enormes quantidades e recursos para a propaganda e o marqueting que mantém os consumidores dependentes e adictos das falsas necessidades por ela criadas. O sistema financeiro e o dinheiro, longe de facilitarem os processos econômicos, de troca e de fluidez e de consciência da realidade econômica por meio dos preços, geram todo tipo de instrumentos financeiros cada vez mais opacos e especulativos. Enormes fluxos e refluxos de dinheiros e divisas circulam livremente por todo o globo, provocando verdadeiros tsunamis e inundações em umas partes, enquanto outras se transformam em desertos econômicos por falta de dinheiro. As políticas econômicas dos diferentes governos se vêem subordinadas à necessidade do crescimento econômico infinito e às forças do mercado, enquanto empresas seguem centrando sua política de expansão e acumulação na (re)produção da obsolescência forçada dos seus produtos, na multiplicação de marcas e símbolos de identidade associados ao ter em vez de ao ser, provocando uma crescente fragmentação e divisão social entre os que não tem tanto quanto gostariam e aqueles que, uma vez situados no topo da pirâmide econômica e social, devem se manter imersos na corrida infinita para se manter na crista da onda... Expandem-se assim a cultura materialista, o consumismo e a alienação social.

Já a busca de controle político e burocrático do processo econômico por meio de leis, regulamentações e a ampliação do Estado redistributivo, centralizando os recursos (seja pelo controle direto das empresas públicas, seja por meio dos impostos) e redistribuindo estes politicamente, tanto na Europa do Estado do Bem-Estar, quanto na China comunista ou no Estado Assistencialista brasileiro, acaba inibindo, quando não suprimindo, as liberdades e a iniciativa individual. Fortalece-se um sistema enrijecido pelo controle e pela burocracia, amplia-se a mentalidade de funcionário e da dependência frente ao assistencialismo e paternalismo dos que estão mais altos na escala do poder social. Consolida-se a figura do que Lewis Mumford denominou o homem organizacional: aquele que se limita a fazer o que está encima da mesa, no seu campo de especialização restrita, ignorando o alcance e as consequências mais amplas da sua ação. A autorregulação é substituída pelo dirigismo, as forças econômicas são enrijecidas pelo Estado e a política e a luta pelo poder passam a dominar cada vez mais a vida social, com todo tipo de abusos, corrupções e autoritarismos se sobrepondo às liberdades.

Frente aos limites evidentes destas duas vias, tanto a via do egoísmo econômico de curta visão, quanto do dirigismo e autoritarismo burocrático, Rudolf Steiner, alarmado pelos sinais de crise evidentes já na sua época, propôs uma terceira via que, como já havia descrito claramente na sua Filosofia da Liberdade, parte do indivíduo e da importância da consciência como fundamento da liberdade. Parte de uma compreensão global, viva e holística da realidade, a partir da visão fenomenológica que Steiner recuperou de Goethe, propondo-se uma ação econômica fundamentada não no indivíduo egoísta, mas na pessoa livre e responsável que, a partir da consciência da realidade do processo econômico como um todo orgânico caracterizado pela profunda interdependência existente entre os diferentes atores sociais e destes com a natureza, busca a livre associação econômica e a trimembração social como respostas necessárias para uma regeneração profunda da sociedade, da política e da economia.

Ao enunciar a sua Lei Social Principal de que “o bem-estar de um grupo de pessoas que trabalham em conjunto é tanto maior quanto menos o indivíduo exigir para si os resultados do seu trabalho, ou seja quanto mais ele ceder estes resultados aos seus colaboradores e quanto mais suas necessidades forem satisfeitas, não pelo seu próprio trabalho, mas pelo de outros”, Steiner fundamenta uma economia baseada na fraternidade consciente. Não uma fraternidade moralista ou ideológica (como ocorre nos regimes e ações assistencialistas ou no Comunismo de Estado), mas sim uma fraternidade que nasce da compreensão da realidade interdependente da economia como tal. Assim como a biologia atual reconhece cada vez mais a importância da simbiose como força estruturadora da vida, muito mais do que a competição e o egoísmo darwiniano, uma visão global e orgânica da realidade econômica nos faz ver que longe de competidores, de um jogo de ‘ganhar ou perder’, somos parceiros na arena econômica. Assim como os ecossistemas mais ricos, resilientes e dinâmicos se caracterizam pela complexa e ampla complementaridade e simbiose dos seus seres, em grandes ciclos e redes de interdependência mútua, também o sistema econômico tem a sua saúde, resiliência e riqueza aumentada na medida em que a cooperação e o associativismo se sobrepõe às consciências alienadas daqueles que, por uma visão mecanicista e reducionista da realidade, se vêem separados e em oposição aos demais procurando apenas os seus interesses de acumulação de curto prazo.

Baseado na profunda compreensão desta realidade do sistema econômico e, particularmente, do sistema econômico moderno nascido precisamente da divisão social do trabalho que faz com que as pessoas produzam cada vez mais para os demais e não para si próprias, Steiner e diversos dos seus seguidores no campo da economia associativa tem proposto uma série de mecanismos e instituições para fortalecer e ampliar a fraternidade econômica consciente como forma de promover modelos de desenvolvimento saudáveis. Como exemplos podemos citar a associação de produtores, comerciantes e consumidores que, a partir do diálogo e da compreensão mútua das suas respectivas necessidades pactuam o preço justo ou preço certo que permite tanto aos produtores viverem dignamente e seguirem produzindo, quanto aos consumidores satisfazerem as suas próprias necessidades de consumo. Como exemplos práticos destas práticas, podemos citar a Agricultura Sustentada pela Comunidade ou CSA nas suas inicias em inglês, assim como diversas iniciativas no campo da economia social, do consumo consciente e do comércio justo. Outro elemento importante decorrente desta visão é a dissociação da relação mecânica entre capacidades, trabalho e remuneração no campo da produção, surgindo assim propostas como a renda universal única ou a remuneração em função das necessidades expressas e não da produção. Isso permitiria, entre outras coisas, superar a atual subordinação da formação escolar aos imperativos do mercado de trabalho (buscando-se uma formação dirigida às funções melhor remuneradas), bem como a estratificação social baseada na divisão do trabalho. Já no campo das finanças, surgem propostas de finanças éticas e de estruturas do capital baseado na propriedade ou no direito de uso e não na propriedade patrimonial (neste campo, experiências de neutralização da especulação e de disponibilização do capital para o produtor, eliminando-se o capital especulativo como possível câncer do organismo econômico, são alguns exemplos, como o é a noção da função social – e ecológica – da terra). Finalmente, a nível individual e coletivo surge a importância da consciência das diferentes formas de dinheiro (dinheiro de consumo, dinheiro de empréstimo ou de investimento e dinheiro de doação) apontando para a lógica e importância econômica das doações para o que Steiner denominou o mundo espiritual livre (o mundo da cultura, da educação e das artes voltadas para o desenvolvimento humano) como as formas mais produtivas do uso do dinheiro (quanto vale hoje nossa herança artística acumulada ou o cálculo diferencial descoberto livremente por Leibniz?). A existência de associações econômicas de coordenação regional e setorial onde produtores se encontram não para formar alianças monopolistas ou oligopolistas para aumentar os seus próprios lucros, mas sim para, junto aos órgãos de consumidores, redirecionar e reequilibrar a produção para atender as necessidades identificadas no conjunto da sociedade, são outro mecanismo fundamental para evitar desperdícios e situações de ociosidade ou má-utilização dos recursos.

São estas e outras propostas extremamente práticas e reais que nascem não de uma ideologia ou moralidade (como o são tanto a ideologia liberal, quanto a ideologia comunista), mas sim da compreensão das necessidades e requerimentos reais da economia enquanto processo vivo, transformador e consciente. Salvando a importância do indivíduo e da liberdade defendida pelos liberais, Steiner neste seu individualismo ético de certa forma substitui a ideologia da mão invisível pela compreensão da importância da mão consciente: da ação livre guiada pela consciência. Neste sentido, podemos ver que a proposta de Satyagraha[1] de Gandhi ao insistir na importância de se fundamentar toda ação individual na verdade e na consciência, no fundo é o que fundamenta também a proposta de Steiner. Um corolário desta compreensão é que as soluções e a responsabilidade recaem nem no Estado ou em autoridades externas identificadas como corruptas ou ineficientes, nem nas forças invisíveis do mercado global. Elas recaem em cada um de nós que, a partir dos nossos atos quotidianos e da nossa consciência participamos na (re)construção do nosso mundo e na evolução da nossa economia. É este caminho de liberdade, responsabilidade e consciência que Steiner nos convida a trilhar.

Andri W. Stahel
Economista


[1] Termo proposto por Gandhi em 1906 e que pode ser traduzido tanto por ‘adesão à verdade’, ‘amor à verdade’ ou ‘insistência na verdade’ e que foi a base da ação individual, social e política de Gandhi da qual a proposta de não-violência era uma resultante, não o ponto de partida que sempre deveria ser, conforme Gandhi, o Satyagraha.

  • A Agricultura Biodinâmica e as Abelhas

    Porque elas estão morrendo? Quem conhece um pouco a Agricultura Biodinâmica sabe da importância das abelhas na formação do organismo agropecuário e no âmbito da vida. Rudolf Steiner dedicou-lhes um ciclo inteiro de palestras (publicadas em português...
  • Como a simples concepção de salário pode mudar a sua vida!

    Conhecemos muito bem a superfície do mundo exterior, mas somos pouco práticos e ineficientes em tudo o que diz respeito, entre outros, à economia. Com pequenos exemplos - como neste artigo do economista Udo Herrmannstorfer - é pos...




Assine o nosso informativo:


SEJA BEM-VINDO ao novo site do Grupo Elo!


Estamos ampliando as possibilidades para que você possa participar conosco da mudança que juntos queremos ver acontecer em nós mesmos e no mundo. O tema da REGENERABILIDADE ambiental e social representa a base e o caminho escolhido para a interação com você que pode tornar-se nosso parceiro nessa empreitada.


Em breve você também encontrará aqui formas adicionais de participação. Por enquanto contamos com a sua inscrição como ASSINANTE do nosso Informativo. Assim já podemos manter contato e informá-lo dos conteúdos e atividades que nos inspiram e motivam. (Fórum Econômico-Associativo, Produtos e Serviços cada vez mais humanizados e ecológicos, Mobilização de Capacidades, Parcerias etc.) Obrigado pelo iteresse e paciência diante das páginas ainda em construção.


O Grupo Elo
www.elo.org.br

DMC Firewall is developed by Dean Marshall Consultancy Ltd